Casa de Avó

Na série Casa de Avó, a mesa e seu entorno evocam a intimidade dos pequenos grupos. Representações da Última Ceia e de naturezas-mortas são referências para incitar uma experiência cristalizada no imaginário coletivo: a mesa posta, as pessoas reunidas, a sensação de aconchego e de continuidade. A pintura é aqui figural, interessada na sensação de estar à mesa, e não na interpretação objetiva. As cores intimistas e a brutalidade refinada da matéria reforçam essa dimensão sensorial e afetiva.

A mesa funciona também como uma âncora diante da impermanência: um lugar que atravessa gerações, em que avós, pais e filhos se sucedem, criando um cordão umbilical que conecta diferentes tempos. Ao dar uma solução contemporânea para questões antigas da pintura, Arthur transforma a mesa em uma pequena multidão, um espaço que molda a subjetividade e gera pertencimento, mas que também revela a impermanência latente da vida.