
A série Multidões aborda grupos humanos e a integração do indivíduo a uma identidade coletiva. Festas, protestos, reuniões religiosas e políticas, torcidas de futebol, shows e grandes aglomerações são aqui manifestações de uma mesma experiência: pessoas que, reunidas, se deixam absorver pela massa. Arthur não se interessa pelas motivações específicas de cada grupo nem atribui valor às suas paixões ou crenças, mas se concentra na experiência de pertencer como uma resposta à transitoriedade da vida.
O artista reproduz esse processo no próprio fazer pictórico. A partir de fotografias e desenhos, distorce e desfigura características individuais até transformar pessoas em massa. Grandes quantidades de material são aplicadas em camadas espessas, com espatuladas, raspagens e pinceladas pontuais que deixam rastros e acumulam matéria na superfície. O gesto leva a obra à fronteira entre a figuração e a abstração: reconhecemos a multidão, mas não conseguimos identificar seus indivíduos.